15/08/14

Eu gostei de tudo que vi no Facebook durante dois dias. Aqui está o que me sucedeu depois.



"O "gostar" e o "favorito" são as novas métricas de sucesso, muito literalmente. Não são apenas os ego-feeders para as coisas que colocamos on-line, como indivíduos, mas os anunciantes também acompanham as suas campanhas no Facebook pela frequência com que elas são "queridas". [...] Gostar, no facebook, é um ato económico.

Eu gostei de tudo, no Facebook. Ou pelo menos foi o que eu fiz, durante 48 horas. Literalmente tudo o o que Facebook me enviou, eu gostei de tudo, mesmo o que eu odiava. Decidi embarcar numa campanha de gostar de tudo de forma consciente, para ver como isso afetaria o que o feed do Facebook me mostrava. Eu sei que isso soa como um golpe (e foi), mas também foi realmente apenas uma experiência em aberto. Eu não tinha certeza de quanto tempo eu iria mantê-la (48 horas era tudo que eu podia suportar) ou o que eu aprender (possivelmente nada.)

Os Robôs do Facebook, comandados pelo algoritmo dos programadores, decidiram que a maneira de manter a minha atenção era escondendo as pessoas e só me mostrando as coisas que outras máquinas têm bombeado para fora. Estranho.

Quando fui para a cama na primeira noite, no meu feed de notícias, as atualizações que eu vi foram (por ordem): Huffington Post, Upworthy, Huffington Post, Upworthy, anúncio publicitário de um Levi, Space.com, Huffington Post, Upworthy, The Verge , Huffington Post, Space.com, Upworthy, Space.com.

Além disso, antes de me meter na cama, eu me lembro de pensar "Ah, merda. Eu tenho que gostar de algo sobre Gaza ", e cliquei o botão "Gosto", num post com uma mensagem pró-Israel.

Na manhã seguinte, os itens no meu feed de notícias haviam mudado muito, muito para a direita conservadora. [...] O jornal "Tribuna Conservadora" aparece de novo, e de novo, e de novo no meu Feed de notícias. Eu comecei a aprender a sua sintaxe muito particular. Foi algo como isto que apareceu no meu feed do facebook:






A frase contando algumas notícias controversas. Boa! 


A frase explicando por que isso é bom. 



A chamada à ação, muitas vezes terminando com uma pergunta?



Este é um problema muito maior do que o Facebook. Isso me lembrou do que pode correr mal na sociedade, e porque nós agora muitas vezes falamos um "com" o outro, em vez de um "para" o outro. Montamos as nossas "queridas" bolhas de filtro político e social que se reforçam a elas próprias. As coisas que lemos e assistimos tornaram-se cada vez mais hiper-nicho, cada vez mais dentro de uma bolha fechada e tribal,  onde apenas se atendem os nossos interesses específicos. Descemos para os buracos dos coelhos, fechados nos nossos interesses especiais, até que nos sentimos perdidos no jardim da rainha, amaldiçoando todo o mundo que vive acima do solo, fora dos buracos.

Enquanto eu via as mudanças a sucederem-se, o que eu nunca esperava foi o impacto que o meu comportamento teve sobre os feeds dos meus amigos. Eu ficava pensando que o Facebook iria limitar-me, mas em vez disso, ficou cada vez mais voraz. O meu "feed" de notícias transformou-se num desfile  de marcas e de marketing político e, como eu interagia com eles, o Facebook obedientemente informou todos os meus amigos e seguidores.

Quando eu postei uma atualização de status no Facebook dizendo "eu gosto de você", eu ouvi de muitas pessoas que a minha atividade esquisita tinha inundado os seus feeds. "O meu newsfeed é composto por 70 por cento coisas que o Mat gostou", observou o meu amigo Heather."

, ""I Liked Everything I Saw on Facebook for Two Days. Here’s What It Did to Me", in Wired, 11 de Agosto de 2014.


Tradução de José Pinheiro Neves



Versão original:

"I Liked Everything I Saw on Facebook for Two Days. Here’s What It Did to Me"

"The like and the favorite are the new metrics of success—very literally. Not only are they ego-feeders for the stuff we put online as individuals, but advertisers track their campaigns on Facebook by how often they are liked. A recent New York Times story on a krill oil ad campaign lays bare how much the like matters to advertisers. Liking is an economic act.


I like everything. Or at least I did, for 48 hours. Literally everything Facebook sent my way, I liked—even if I hated it. I decided to embark on a campaign of conscious liking, to see how it would affect what Facebook showed me. I know this sounds like a stunt (and it was) but it was also genuinely just an open-ended experiment. I wasn’t sure how long I’d keep it up (48 hours was all I could stand) or what I’d learn (possibly nothing.)

Facebook’s robots decided that the way to keep my attention is by hiding the people and only showing me the stuff that other machines have pumped out. Weird.

As I went to bed that first night and scrolled through my News Feed, the updates I saw were (in order): Huffington Post, Upworthy, Huffington Post, Upworthy, a Levi’s ad, Space.com, Huffington Post, Upworthy, The Verge, Huffington Post, Space.com, Upworthy, Space.com.


Also, as I went to bed, I remember thinking “Ah, crap. I have to like something about Gaza,” as I hit the Like button on a post with a pro-Israel message.



By the next morning, the items in my News Feed had moved very, very far to the right. I’m offered the chance to like the 2nd Amendment and some sort of anti-immigrant page. I like them both. I like Ted Cruz. I like Rick Perry. The Conservative Tribune comes up again, and again, and again in my News Feed. I get to learn its very particular syntax. Usually it went something like this:

A sentence recounting some controversial news. Good!


A sentence explaining why this is good.



A call to action, often ending with a question?

This is a problem much bigger than Facebook. It reminded me of what can go wrong in society, and why we now often talk at each other instead of to each other. We set up our political and social filter bubbles and they reinforce themselves—the things we read and watch have become hyper-niche and cater to our specific interests. We go down rabbit holes of special interests until we’re lost in the queen’s garden, cursing everyone above ground.

While I expected that what I saw might change, what I never expected was the impact my behavior would have on my friends’ feeds. I kept thinking Facebook would rate-limit me, but instead it grew increasingly ravenous. My feed become a cavalcade of brands and politics and as I interacted with them, Facebook dutifully reported this to all my friends and followers.

When I posted a status update to Facebook just saying “I like you,” I heard from numerous people that my weirdo activity had been overrunning their feeds. “My newsfeed is 70 percent things Mat has liked,” noted my pal Heather."

27/07/14

Somos livres ou escravos quando andamos no Facebook?


Foto: Instalación '24 hrs in photos' de Eric Kessel / GUNNAR KNECHTEL


Somos livres ou escravos quando nos deixamos seduzir pelas redes sociais? 

De um lado, muitos dizem que a rede é um campo de oportunidades. Há como que um deslumbramento perante a magia e as possibilidades da nova tecnologia. Depois, pouco a pouco, começa a surgir a dúvida e instala-se a paranóia. Será que estou a ser espiado e controlado? Será que tudo isto serve apenas para reforçar o controlo planetário das grandes corporações e do capitalismo financeiro? Não será o Facebook (e as outras redes que nos envolvem) uma forma disfarçada de uma nova religião mundial? Sentimo-nos, ao mesmo tempo, ameaçados por um poder gigantesco e impelidos a agir para evitar a perda de privacidade. Um agir que pode fazer-nos cair no mundo da paranóia e da desconfiança.

Como encontrar o equilíbrio entre a Apoteose e o Apocalipse? Como ser capaz de viver sem preconceitos no mundo da complexidade, conhecer esse mundo nos seus lados mais claros e também mais sombrios e simultaneamente dar-se conta do seu carácter profundamente alienante, profundamente religioso, no sentido mais cruel, ao criar cada vez maiores desigualdades entre os humanos?

jpn

"Evgeny Morozov o Luke Dormehl, Edward Snowden o un estudiante holandés, grandes diarios o diversos sitios en la Red han acompañado su emplazamiento con alertas muy contundentes sobre el uso de nuestros datos en Internet y el peligro que ello supone en materia de libertad o de protección. Datos que, dicho sea de paso, no son ofrecidos por el espionaje o la vigilancia de antaño —KGB o Stasi, CIA o FBI, Mosad o Interpol—, sino por nosotros mismos, que vamos desgranando, minuto a minuto, el catálogo de nuestros perfiles para uso y abuso de las compañías comerciales, los Gobiernos y sus agencias de seguridad.
[...] Crece, en fin, una corriente de sospecha, por no decir paranoia, que ha venido arrastrando a un número creciente de individuos que se sienten amenazados y al mismo tiempo responsables de su desprotección [en la red]. Una situación que estos autores consideran irreversible, narrada desde una preocupación que llega demasiado tarde. El eslogan "Internet nos hará libres" parece desdibujarse ante la certidumbre de que, al menos, también nos puede hacer esclavos.
[...] Asimismo, uno sale con cierta confirmación del carácter infalible de Internet; como si la zona pornográfica, rudimentaria, gamberra, kitsch, incluso barroca del sistema no fuera capaz de jibarizarlo y llevarlo a los límites de su legislación o funcionamiento.

Big Bang Data es deudora, entre muchos otros, del paradigma Complexity, aunque se instala en un momento en que el de la Desigualdad (Inequality) está llamado a afianzarse, como puede verse cruzando una calle o en el último libro de Thomas Piketty. Desde esa circunstancia, es muy probable que todos los conflictos se subordinen a esa disparidad que también crece por minutos bajo esa montaña de datos que nos presuponen entregados, de motu proprio, a nuestra dominación."

Iván de la Nuez, "Del Apocalipsis a la apoteosis", in El Pais, 26 de Julio de 2014. http://cultura.elpais.com/cultura/2014/07/24/babelia/1406193545_148939.html

Texto de Iván de la Nuez encontrado no facebook de Jorge Martins Rosa

Os três perigos do Facebook: aceleração voraz, nova cegueira e narcisismo.



"E aqui, ou nos juntamos num redesenho da comunicação ou isto torna-se muito estranho."
Guta Moura Guedes





No facebook, "temos assistido [...] a uma crescente precipitação de opiniões e julgamentos como se subitamente todos nós tivéssemos tornado detentores de uma – qualquer – verdade ou razão." (Guta Moura Guedes) Como ondas ressonantes, os assuntos sucedem-se levando milhares de utentes a comentarem e/ou copiarem "posts" atrás de "posts".

Somos como crianças maravilhadas com o novo brinquedo. Ainda andamos tacteando, ensaiando formas de o usar como num jogo que ainda não conhecemos. Ora, esse jogo, se mal jogado, tem os seus perigos. Falarei dos três que me parecem mais importantes: aceleração voraz, nova cegueira e narcisismo.

1. O perigo da precipitação e da aceleração. Uma "precipitação" de opiniões e imagens tentando sempre ter a última palavra, uma procura ansiosa da aprovação do "outro", uma forma que tende a tornar-se perigosamente narcisista. Ou, nalguns casos, carregada de pequenas invejas não assumidas e frustração. O apelo das imagens e vídeos, da comunicação interactiva leva-nos a uma espécie de delírio comunicativo, a uma aceleração voraz que nos impede de "digerir". De tal forma, que nos expomos a uma perda dramática da nossa privacidade e do nosso tempo de vida. Aliás, segundo muitos especialistas, a privacidade já foi perdida por quase toda uma geração.


"E há uma nova realidade, inexorável: nunca, em momento algum, tanta gente teve tão completo acesso a tudo o que se escreve e regista visualmente, mesmo na maior intimidade, deixando, em paralelo, de dedicar tempo de processamento do que lê ou vê. Ou porque mostramos ou porque somos mostrados, a vida profissional e a vida pessoal e privada mudaram completamente com a internet e com a comunicação digital, wireless e em tempo real ou em tempo mediatizado." (Guta Moura Guedes).


2. O perigo de uma nova cegueira virtual devido à "overdose" diária de imagens. A imagem fotográfica e do cinema "mainstream", pensado para o consumo rápido, transforma-se na solução atraente para se comunicar. A sedução da imagem é ainda um resquício histórico da idolatria no debate antigo dentro da igreja católica. A igreja temia, na idade média, a imagem como sendo fonte de tentações. De alguma forma, partilhava a suspeita de muitos povos não ocidentais que a encaram como fonte de bruxaria no sentido negativo. Mas, no caso da igreja, era o facto de ser fonte de suspeita, de ligação com outras verdades heterodoxas, fonte de pecado. Quando a imagem é pensada como estética e resistência tudo muda de figura. O acto criativo artístico, qualquer que ele seja, é subversivo. O pensamento estético, a sensação estética, sugere-nos uma via nova: usar a imagem deixando-se levar pelo seu carácter "demoníaco", pela sua abertura a outras percepções. De algum modo, podemos dizer que, de algum modo, a Igreja Católica acabou por ganhar a sua aposta na medida em que somos nós agora que interiorizamos essa proibição usando as imagens de forma ortodoxa, instrumental, sem ter consciência da imagem. Vemos cada vez mais rapidamente mas não olhamos. As imagens deixaram de ser olhadas por elas mesmo na sua possibilidade de desmontar as idolatrias, de serem plurais apesar do que se passou em grande parte da arte do século XX. Cada vez mais, as imagens são "vistas" numa cegueira constante fascinados pelas emoções fáceis, pelos modelos aprovados de comportamento "masculinizado" ou louco no sentido de irresponsável (uma loucura suave que funciona como analgésico para suportar a crueldade do mundo real). A disseminação das fotos, do olhar fotográfico referido por  Walter Benjamin e, agora ecrânico, segundo Pedro Rodrigues Costa, acaba por criar uma nova cegueira como se, em certa medida, estivéssemos possuídos por uma religião fanática, por um novo monoteísmo invisível.



3. O perigo da hipervalorização do nosso ego, do nosso narcisismo. De algum modo, é uma civilização infantilizada a que estamos a criar. A que muito dificilmente passará da fase do espelho, do culto do "selfie". As imagens desse tipo disseminam-se por todo o lado. Um ego que muito dificilmente coopera dominado pela lógica da competição cruel.

"Iremos aprender a gerir melhor o que dizemos e partilhamos ou então iremos aprender – o que é mais interessante do ponto de vista evolutivo – a contextualizar melhor, a relativizar e a fazer verdadeiramente o exercício de entender o outro, sem o querer julgar logo à partida ou só pela nossa perspectiva." (Guta Moura Guedes).


Em síntese, para evitar estes três perigos teremos de ser capazes de praticar, aprender fazendo, uma nova forma de cidadania digital, uma cidadania de "resistência" a esta aceleração voraz.








Anexo




Fragmentos do artigo de Guta Moura Guedes que inspirou este texto, "Estamos a comunicar?", Público de 5 de Março de 2014:

"Há uma nova realidade, inexorável: nunca, em momento algum, tanta gente teve tão completo acesso a tudo o que se escreve e regista visualmente, mesmo na maior intimidade, deixando, em paralelo, de dedicar tempo de processamento do que lê ou vê. Ou porque mostramos ou porque somos mostrados, a vida profissional e a vida pessoal e privada mudaram completamente com a internet e com a comunicação digital, wireless e em tempo real ou em tempo mediatizado. 

Mas mais e mais complexo. Acabou também um certo sentido universal, comungado, sobre o significado das palavras, que nos permitia uma base de sustentabilidade comunicacional mínima. Já não partilhamos significados e faltam-nos palavras novas.

Neste aumento do desfasamento de competências entre a emissão e a recepção, estamos a duas velocidades distintas, com a particularidade de nos encontramos embebidos numa voracidade predadora, dada a dureza dos tempos que atravessamos. Voracidade que nubla o pensamento e dificulta a cooperação, a compreensão. Mudou muita coisa na comunicação e nós – temos de o confessar – não conseguimos ainda perceber o quê."

"Quando se comunica abrem-se sempre várias portas à interpretação. Todos nós criámos o nosso próprio Blade Runner a partir do clássico Do Androids Dream Of Electric Sheep? de Philip K. Dick ou a nossa visão sobre a obra de Gerhard Richter. Mas essa, claro, não é a questão de fundo. A questão inicia-se não só na dimensão do que é público mas do que – acima de tudo – não é escrito, falado ou criado com a intenção de o ser ou com a consciência de que público, hoje em dia, significa o mundo inteiro. Todo.

Iremos aprender a gerir melhor o que dizemos e partilhamos ou então iremos aprender – o que é mais interessante do ponto de vista evolutivo – a contextualizar melhor, a relativizar e a fazer verdadeiramente o exercício de entender o outro, sem o querer julgar logo à partida ou só pela nossa perspectiva.

Uma coisa sabemos. Comunicamos no século 21 – globalmente – e interpretamos ainda como se estivéssemos no século 20 – provincianamente. Entender esta nova forma de partilhar informação implica uma maturidade que ainda não temos enquanto sociedade. E aqui, ou nos juntamos num redesenho da comunicação ou isto torna-se muito estranho. Acima de tudo porque penso que não reflecte algo que nos caracteriza como espécie e que nos permitiu – entre outras características – sobreviver e evoluir. Que é a nossa capacidade de genuinamente entender o que nos diferencia e de fazer disso uma força, cooperando."

Guta Moura Guedes, "Estamos a comunicar?", "Público" de 5 de Março de 2014.

05/06/14

"Heidegger, pensador da Terra" - Lançamento do livro de Fernando Belo






Um vídeo com algumas dicas ecológicas…



"Heidegger, pensador da Terra" - Lançamento do livro de Fernando Belo Na Sala Eduardo Prado Coelho, na Fábrica de Braço de Prata. Com apresentação por Irene Borges Duarte e Nuno Nabais. 30/03/2012




A quem interesse, a primeira parte:




01/06/14

Lançamento do livro "Quem é o meu Próximo?", de Paulo Borges




Primeiro vídeo



Lançamento do livro de Paulo Borges, QUEM É O MEU PRÓXIMO? (ensaios e textos de intervenção por uma consciência e uma ética globais e um novo paradigma cultural e civilizacional) - Edições Mahatma. O evento teve lugar quarta-feira, dia 28 de maio, pelas 18.30h, na Galeria Abraço - na Rua do Poço do Borratém nº 39, à Praça da Figueira. Lisboa. Obra prefaciada pelo Maestro António Victorino d'Almeida e apresentada pelo ensaísta e escritor Miguel Real.




Sinopse:

Repensamos os fundamentos da actual civilização à luz de uma consciência e de uma ética globais e de um novo paradigma cultural e civilizacional. Fazemos a crítica de um (fim de) ciclo antropocêntrico e especista, em que o ser humano se imaginou o centro e o dono do planeta e que, na sua deriva produtivista-consumista, se aproxima de uma crise terminal: pelo esgotamento dos recursos naturais e dos combustíveis fósseis, pela destruição da biodiversidade e da diversidade cultural, pela crescente injustiça económica e social, pelo galopante mal-estar espiritual e existencial e pelo avolumar do sofrimento gerado na comunidade dos seres vivos, humanos e não-humanos. Defendemos que a desconsideração e instrumentalização do outro, humano, animal ou natureza, dê lugar a uma cultura do cuidado e do empenho no bem comum a todos os seres vivos, aos ecossistemas e ao planeta, como um todo inseparável. Estamos convictos de que a suprema potencialidade do ser humano só se realiza na realização desse bem comum a tudo e todos, mediante o alargamento da noção bíblica de “próximo” – “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus, 22, 39) - a todos os seres dotados de consciência, sensibilidade e vida, como humanos, animais e a seu modo as plantas, ou viventes e existentes, como a terra e o céu, as montanhas, os rios e os mares. O meu próximo é todo aquele e tudo aquilo de quem eu for capaz de me aproximar, ao ponto de o sentir íntimo e inseparável de mim, numa abertura do espírito-coração a tudo e todos.



Caso interessem, vejam os seguintes vídeos do evento:




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