11/10/13

Hermínio Martins - "Experimentum Humanum - Civilização Tecnológica e Condição Humana"




Hermínio Martins – “Experimentum Humanum” – “A Condição Tecno-Humana no Séc. XXI – (1).

Hermínio Martins – “Experimentum Humanum” – “A Condição Tecno-Humana no Séc. XXI – (2).

Há mais um vídeo deste evento (3).

“Filosofia e Sociologia da Técnica” (1).

“Tecnologia, Modernidade e Política” (1).

Há mais 4 vídeos destas sessões.

Mais detalhes nas descrições dos vídeos no Youtube.








-

09/10/13

"Espinosa e a ecologia profunda"



Desde já agradeço o convite para colaborar neste interessante blogue.

Dois vídeos cujas temáticas se enquadram nestes contextos.


Maria Luísa Ribeiro Ferreira - Espinosa e a ecologia profunda (1)

Maria Luísa Ribeiro Ferreira - Espinosa e a ecologia profunda - Debate (2).

24/01/2013

Algumas referências no vídeo: várias vertentes ecológicas e ecosóficas (Ecologia profunda, Ecologias reformistas, Ecologias de superfície; Ecosofia, Ecosofia T (Naess)...).
Espinosa, Arne Naess, Luc Ferry, Hans Jonas, Eccy de Jonge, George Sessions, Lynn White, Marcuse, Nietzsche, Heidegger, Mary Midgley, Rachel Carson…


-

"Espinosa e a ecologia profunda" -  Maria Luísa Ribeiro Ferreira

Sobre a autora: http://luisarife.com.sapo.pt/

-

VER-OLHAR-COMPREENDER-PERCEPCIONAR

... reparem nesta frase:

"Eu vi um vulto lá fora. Olhei com atenção. Mas não compreendi a imagem do vulto que percepcionava".

Se olharem bem, nesta frase estão quatro tipos diferentes de visão:
- "ver", ver uma pessoa todos os dias durante anos sem nunca olhar para ela; ver a televisão durante anos num sofá sem nunca olhar para a televisão; ver o facebook todos os dias sem jamais olhar para o ecrã, etc.;
- "olhar",  dar atenção ao que se está a olhar (olhar com sensações e não com emoções ou com a mente);
- "compreender", dar um significado ou perceber o sentido do que está a ver;
- "percepcionar" sem querer dar um significado mental, uma pequena percepção sem querer dar um sentido e sem estar pré-condiconado pelo medo ou outras emoções, olhar de dentro como se a imagem entrasse em nós através da luz, sentir a sensação da luz na nossa retina, olhar impessoalmente, olhar com um olhar anterior.

Agora que conhecem estas quatro formas do sentido da visão, usem-nas com cuidado...

Uma glosa de um texto do Vítor Rua no Facebook.

"OUVIR-ESCUTAR-COMPREENDER-ENTENDER

...reparem nesta frase: "Eu ouvi um som lá fora; escutei com atenção; mas não compreendia o som que entendia durante toda a noite". Se virem bem, nesta frase estão quatro diferentes tipos de "audição": "ouvir"- a mais primária de todas; ouvir sem saber de onde vem, ou o que é; "escutar"- dar atenção ao que se está a ouvir; "compreender"- dar um significado ao som; perceber o seu sentido; "entender"- ouvir por ouvir; sem querer saber o seu significado ou a sua origem. Agora que conhecem estas quatro formas de audição, usem-nas com cuidado..."

No facebook de Vítor Rua em 9 de Outubro de 2013

23/09/13

O "duplo vínculo": a intolerância ambivalente no facebook

O "duplo vínculo" é o cancro da sociedade moderna, do capitalismo, segundo Gregory Bateson, a origem de muitas doenças, de muita auto-culpabilização.
"Vamos a um exemplo: a filha que já tem 20 anos de idade e resolve sair de casa e ir morar sozinha. Ela conta para a mãe e a mãe responde que está feliz por ela ter independência mas, ao mesmo tempo, saem lágrimas dos olhos. A qual mensagem a filha vai responder? A mensagem verbal ou a mensagem corporal? Talvez a filha resolva ter firmeza e sair de casa, mas fica com um sentimento de culpa e ambiguidade". in http://joaopedromeyer.blogspot.pt/2013/02/teoria-do-duplo-vinculo.html

A possível solução para evitar a culpabilização, para matar o mal pela raíz, exige entender a metacomunicação. Ser assertivo. "A única forma de sair de um paradoxo é a meta comunicação. É a comunicação que fala sobre a comunicação. No exemplo da filha, a saída seria ela dialogar sobre as duas mensagens que ela está recebendo e perguntar a qual delas ela deve dar mais atenção."  in http://joaopedromeyer.blogspot.pt/2013/02/teoria-do-duplo-vinculo.html

Foi esta a base, simplificando imenso,da experiência terapêutica de Gregory Bateson. O problema não é de solução fácil quando estas situações têm por detrás anos de dominação e de chantagem afectiva. Ou, no caso extremo, quando são a base de arquétipos inspirados nas sociedades patriarcais.

Ora, esta atitude repete-se milhares da vezes no facebook. É clássica no elogio de uma foto por uma mulher aparentando estar feliz com a beleza da amiga. São palavras cheias de veneno. Mas o pior é quando essas palavras se disfarçam por detrás do "amor" e pouco a pouco abafam a vontade de liberdade e de autonomia do outro.
O pior é quando somos educados por um progenitor que propaga esta doença. Falta de amor positivo.
É necessário distinguir muito bem entre culpabilização e sentido pessoal e autónomo de culpa,, a consciência dos erros que se cometem. A culpabilização é um veneno insidioso que pouco a pouco nos esvazia. E mais quando não sabemos a sua origem, quando perdemos o contacto com o nosso eu profundo e autónomo.

Livro sobre as redes sociais. "Você acha que usa a internet, mas está sendo usado por ela".

Extractos da entrevista a Bernardo Carvalho, autor do livro sobre a internet "Reprodução" (Companhia das Letras).
"Tive um processo longo de percepção de uma fascistização do mundo, de um jeito ambíguo, porque as pessoas criam o fascismo achando que estão encontrando a liberdade. A internet é libertária, democrática, mas também faz você entregar sua privacidade e se relacionar com corporações como se fossem Deus ou a natureza. Elas dizem: "Você não precisa pagar nada". E você se entrega acriticamente, porque a ideia de não fazer esforço é sedutora. E há o narcisismo, a exposição no Facebook, que pega um ponto central. É perverso, a conquista vai em pontos frágeis da psique, você se sente uma celebridade. Do ponto de vista político, você acha que está usando, mas está sendo usado. O livro expressa esse desconforto.
[...]
A internet "talvez tenha acirrado algo que sempre existiu em potencial. Você não tem privacidade, mas pode ter anonimato, o que permite uma manifestação de imbecilidade sob a proteção do anonimato. Estava incomodado com isso e pensei nesse narrador que representa o ódio absoluto, o anonimato da internet. No livro há uma frase do [filósofo espanhol] Ortega y Gasset: "Todo povo cala uma coisa para poder dizer outra. Porque tudo seria indizível". O personagem tem a informação absoluta, mas nada do que ele diz quer dizer muito. Não adianta você saber um monte de coisas, ser informado na superficialidade midiática sem uma compreensão do mundo. Você só reproduz, não consegue mais produzir.
[...]
Notei um ódio no qual reconheci esse anônimo da internet [protagonista do livro]. O protagonista cita os "colunistas" da mídia, que, nota-se, alimentam o ódio dele. Pensou em alguém específico? Isso resume várias pessoas. É uma grosseria de pensamento, gente que fala como se falasse com crianças. O problema não é ser colunista de direita, é o tipo de argumento primário e fácil de ser derrubado. O negócio é no grito porque é insustentável. E isso produz best-sellers no Brasil. Há uma espécie de inconsequência política que está no discurso desse personagem. A burrice era privada, mas agora é pública.
[...] A literatura passou a ser pautada pelo gosto da média. Mas literatura é reflexão, não só produto de consumo, não só contar uma história. Tem um elemento de rebeldia, de criação. Não sei se incomoda, mas esse livro me deu prazer de fazer e me dá prazer de ler. Há uma coisa engraçada no discurso do ódio.
Não tenho clareza do que o livro representa, mas é algo político como nunca fiz, tem um humor que nunca tive. Sempre fui contra a literatura política, atrelada, mas desta vez tinha uma urgência. O livro não busca uma solução. É uma visão trágica das camadas de possibilidades".
 
Bernardo Carvalho

Três formas de estar no Facebook (inspiradas num texto de Fernando Pessoa)

"Vivemos todos longínquos e anónimos; disfarçados, sofremos desconhecidos. A uns, porém, esta distância entre um ser e ele mesmo nunca se revela; para outros é de vez em quando iluminada, de horror ou de mágoa, por um relâmpago sem limites; mas para outros ainda é essa a dolorosa constância e quotidianidade da vida".
 
Fernando Pessoa, O Livro do desassossego


   Três formas de viver a relação com a máscara, com o "Facebook", com todas as nossas redes sociais. Começam a ser definidas, desde criança, a partir da nossa experiência com a primeira rede, a mais íntima: a rede ligando ou não o meu eu profundo com a máscara do social. O primeiro caminho ignora a distância e vira-se para o exterior. Vive numa terrível solidão sem se aperceber.  Assim começa a vida do narcisista, do psicopata ou neurótico social dominados pelo mito da masculinidade. A fonte do empresário inovador e destruidor, como dizia o economista Joseph Schumpeter. Para outros, essa separação aparece como um relâmpago percepcionado com horror ou mágoa - a via do revoltado ou do sofredor. Também é a origem da auto-punição do(a) esquizofrénico(a) fugidío(a). É, na imensa maioria dos casos, necessária a passagem por este momento para, mais tarde, atravessar a ponte. Por fim, na terceira via, a consciência plena e diária desse sofrimento é fonte de energia. A dolorosa constância e quotidianidade da vida. Ponto de partida essencial para uma autêntica in-dividuação.