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01/06/14

Lançamento do livro "Quem é o meu Próximo?", de Paulo Borges




Primeiro vídeo



Lançamento do livro de Paulo Borges, QUEM É O MEU PRÓXIMO? (ensaios e textos de intervenção por uma consciência e uma ética globais e um novo paradigma cultural e civilizacional) - Edições Mahatma. O evento teve lugar quarta-feira, dia 28 de maio, pelas 18.30h, na Galeria Abraço - na Rua do Poço do Borratém nº 39, à Praça da Figueira. Lisboa. Obra prefaciada pelo Maestro António Victorino d'Almeida e apresentada pelo ensaísta e escritor Miguel Real.




Sinopse:

Repensamos os fundamentos da actual civilização à luz de uma consciência e de uma ética globais e de um novo paradigma cultural e civilizacional. Fazemos a crítica de um (fim de) ciclo antropocêntrico e especista, em que o ser humano se imaginou o centro e o dono do planeta e que, na sua deriva produtivista-consumista, se aproxima de uma crise terminal: pelo esgotamento dos recursos naturais e dos combustíveis fósseis, pela destruição da biodiversidade e da diversidade cultural, pela crescente injustiça económica e social, pelo galopante mal-estar espiritual e existencial e pelo avolumar do sofrimento gerado na comunidade dos seres vivos, humanos e não-humanos. Defendemos que a desconsideração e instrumentalização do outro, humano, animal ou natureza, dê lugar a uma cultura do cuidado e do empenho no bem comum a todos os seres vivos, aos ecossistemas e ao planeta, como um todo inseparável. Estamos convictos de que a suprema potencialidade do ser humano só se realiza na realização desse bem comum a tudo e todos, mediante o alargamento da noção bíblica de “próximo” – “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus, 22, 39) - a todos os seres dotados de consciência, sensibilidade e vida, como humanos, animais e a seu modo as plantas, ou viventes e existentes, como a terra e o céu, as montanhas, os rios e os mares. O meu próximo é todo aquele e tudo aquilo de quem eu for capaz de me aproximar, ao ponto de o sentir íntimo e inseparável de mim, numa abertura do espírito-coração a tudo e todos.



Caso interessem, vejam os seguintes vídeos do evento:




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25/02/14

Máscaras e sub-máscaras no rosto de alma.

                                                                   Teseu e o Minotauro




"Ah quantas máscaras e submáscaras,
Usamos nós no rosto de alma, e quando,

Por jogo apenas, ela tira a máscara,

Sabe que a última tirou enfim?"
Fernando Pessoa, Poemas Ingleses, Lisboa, Ática, 1974, p. 165.


O que pode acontecer quando se começa a perder as máscaras e sub-máscaras, quando ainda não aderiram totalmente à carne? O que poderá suceder quando o inconsciente irrompe como uma onda do mar? 

"Se os conteúdos do inconsciente chegarem à consciência, como o indivíduo reagirá? Será dominado pelos conteúdos? Aceita-los-á credulamente? Rejeita-los-á? O primeiro caso significa paranóia ou esquizofrenia; o segundo torna o indivíduo um excêntrico, com certo gosto pela profecia, ou então pode fazê-lo retroceder a uma atitude infantil, apartando-se da sociedade humana; o terceiro significa a restauração regressiva da 'persona' ou máscara" (C. G. Jung). 

Poderá assistir-se a uma perda do auto-controlo com o inconsciente a tomar a rédea seja abrindo-se, seja fechando-se. Ou a uma inflação, a uma inflamação doentia do "ego" com as percepções de um acesso mais directo ao inconsciente saindo para fora, numa lógica de "padre" ou de "profeta new-age"; ou a uma deflação para dentro no isolamento. Ou pode acontecer uma regressão para a "normalidade" mascarada.

O primeiro caminho significa que se deixa de ser o capitão do próprio barco quer pelo medo excessivo, a mania da perseguição, o delírio (teorias conspiratórias por todo o lado até à desrealização total), quer por um fechamento interior, uma resistência típica em muitos jovens (a maioria do género feminino). O segundo é o do retorno à máscara agora profética seja como chefe, seja como subordinado, a lógica da seita que domina alguns grupos de 'new age', um vírus poderoso. Ou o monge ou o budista que se isola para meditar. Ou a do solitário que se afasta dos homens. E uma terceira via que consiste na negação, na mentira interior. A restauração regressiva da 'persona', criado (a) e dominado (a) pelos padrões patriarcais. 

Por fim, "os que não quiserem renunciar aos grandes tesouros enterrados na psique coletiva deverão lutar, de um modo ou de outro, a fim de manter a ligação recém-descoberta com os fundamentos originários da vida." 

(citações de Carl Gustav Jung, O eu e o inconsciente, cap. IV - Tentativas de libertar a individualidade da psique coletiva).

18/09/13

Narcisismo nas redes digitais e no planeta em geral: um novo vírus mortal?

O narcisismo, a nova peste das redes digitais, é puro egoísmo. É também muito mais do que isso. É a base da forma actual da loucura normalizada chamada capitalismo do consumo em massa. É um vírus que os estudiosos definem como a causa da imensa maioria das psicopatologias e também de imensa destruição somatizada em doenças como o cancro, etc. Esta tese é comprovada infelizmente por milhares de psicólogos, psicoterapeutas em todo o mundo. Não é uma questão moral (apenas), é uma forma de estar no mundo, incentivada e dita normal, exemplo a seguir (de forma claro camuflada com termos como "moda", ser moderno, ser bonita, glamour, elegância, etc, etc...) pelos homens e muitas mulheres (mulheres dominadas pelo paradigma da masculinidade) dos media e do mundo empresarial.
Eu vejo assim as coisas: imagine que se descobria que o ser humano tinha um vírus (como a SIDA) quase genético que é necessário combater, muito perigoso, pois pode originar a destruição do planeta, de todos nós ou, na hipótese mais optimista, tornar a vida dos nossos filhos um pesadelo. Imagine o planeta daqui a 40 anos com o estilo de vida e de consumo a crescer exponencialmente assim como o número de homo sapiens no planeta.
Bem, nesse caso a maioria dos homo sapiens que nos dirigem diriam: "esse vírus é uma calamidade mas é uma questão do foro moral ou religioso. Os que fazem política e os que produzem, os donos das fábricas, escritórios, dirigentes da gestão, esses não têm nada a ver com o combate". Por sua vez, a maioria das religiões oficiais diria: "Bem, isso é mau mas basta cada um destruir o vírus por si, basta ter vontade e claro vir à nossa missa. O narcisista é uma pessoa egoista e nós não o devemos ser". Se perguntar aos seus amigos, colegas e familiares todos lhe vão dizer que não são egoistas. São sempre os outros que têm o vírus.
Perante esta calamidade, você não se indignaria e faria todo o possível por combater o vírus? Certo? O psicanalista Lacan diz-nos que o narcisismo faz parte da epifilogénese do ser humano. É o berço dos psicopatas que nos dirigem por todo o lado e dos que batem todos os dias nas mulheres, nos seus subordinados e nos animais domésticos (muitas vezes de forma virtual, por palavras e pela manipulação, muito mais efectivo e dificil de sarar).
Entendem agora a minha insistência na "Ecosofia da mente nas redes digitais"? Como dizia Gregory Bateson, não basta uma ecologia das ervas daninhas, da poluição e do ambiente físico. É urgente incentivar uma ecologia das ideias daninhas, uma ecologia do narcisismo que não se limite a uma atitude moralista ou psicologista. 

11/09/13

#ecosophyofmind #deepecologyofmind

#ecosophyofmind #deepecologyofmind
What is the ecosophy of the mind or, more simple, the deep ecology of the mind?
Is a knowledge and a state of conscience based on the ancient tradition, namely Maya and Buddhism, and the work of Arne Naess, Arno Gruen, Félix Guattari, Carl Gustav Jung and Gregory Bateson (and many others, of course). It is a kind of deep ecology applied do the mind.
As we know, Arne Naess, the father of the concept of deep ecology, "has come under many influences, most notably Gandhi and Spinoza. The Buddhist influence on his work, though less pervasive, provides the most direct account of key deep ecological concepts such as Self‐realization and intrinsic value. Like early Buddhism, Naess responds to the human suffering that causes environmental destruction by challenging us to return to the reality of lived experience"
(Curtin, 1996: 239).
Deane Curtin, "A state of mind like water: Ecosophy T and the Buddhist traditions", In Inquiry: An Interdisciplinary Journal of Philosophy, Volume 39, Issue 2, 1996 (Special Issue:Arne Naess's Environmental Thought), 239-253.  
[http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00201749608602419 acessed in 10 October 2012]
© José Pinheiro Neves

17/08/13

Para uma ecosofia da mente. "Have it your way": o vírus do narcisismo "espiritual" das novas gerações

"O idiota puro é o idiota jovem. Com o tempo, torna-se cínico, adquire hábitos esquisitos, sempre à procura do que lhe serve ou lhe rende, em busca de técnicas para obter sucesso e se sentir bem, sereno, de boa saúde e belo aspecto: cristianismo, ioga, dieta macrobiótica, drogas, parapsicologia, psicanálise, etc."
Ernesto Sampaio in ‘Ideias Lebres’, Fenda, 1999, págs 133 a 136. [Publicado no Diário de Lisboa, de 12/6/87.]
Encontrado no Facebook de Teresa Duarte
Ernesto Sampaio descreve, num texto escrito nos anos 80, a geração emergente do emprego precário e dos sonhos idealistas. Sendo muitos deles educados na linha do "bercisismo" narcísico - não são os antigos revoltados (não os entendem, vendo até atraso nessa atitude) -, estes "idiotas" puros sofrem sobretudo imenso ganhando, pouco a pouco com as experiências do cinismo e crueldade neo-liberal, uma capa resistente, cínica, uma máscara com um aspecto sadio e New Age. "Cristianismo, ioga, dieta macrobiótica, drogas, parapsicologia, psicanálise, etc."
E onde está o mal neste narcisismo? Não será algo até de sadio e natural? Não. Antes pelo contrário.
Vejamos. O narcisismo psicológico tem cinco características relevantes:
1. "Requer excessiva admiração"; com isto vem uma extrema "sensibilidade à crítica". Tal crítica "geralmente leva a um isolamento social ou a uma aparência de humildade". Geralmente está associado a um óbvio comportamento em busca de atenção. (...) 2. Um "senso de posse, de irracional expectativa por tratamento favorável e conformidade automática dos outros às suas sugestões e expectativas" é outro traço narcisista. Uma atitude de "as regras não se aplicam a mim" vem com este senso de posse. (...) 3. Acreditam "que são superiores, especiais ou únicos e esperam que os outros reconheçam isso; que deveriam associar-se apenas a pessoas que são especiais ou de um maior status". (...) 4. Outra característica narcisista é mostrar "atitudes e comportamentos altivos e arrogantes". (...) 5. Uma "falta de empatia", isto é, "uma relutância em reconhecer ou identificar-se com o sentimento e as necessidades dos outros".
A última característica, FALTA DE EMPATIA, mostra ser algo de mais amplo, de vírus social. Emerge "pelo desprezo ou raiva contra aqueles que se sentem ofendidos pelas mudanças (...)". Por uma atitude de ortodoxia julgando constantemente os outros
O narcisismo psicológico deixa então de ser um desvio minoritário para, com a perda do sentido da história e a explosão hedonista, se transformar numa autêntica epidemia provocada pelo capitalismo "evoluído" do consumo a todo o custo. Uma nova mobilização onde a guerra decorre dentro de cada um de nós, na forma como somos família e em cada forma de estarmos juntos, na organização do tempo livre e da produção. Já não há propriamente um centro de poder dominando os outros mas antes um controlo difuso, viral mobilizando energia e desejo. Uma sociedade do controlo dentro de nós. Onde o policiamento começa pelo interior criando a forma de vida narcisista e egocentrada.
O problema actual desta forma anormal de viver chamada capitalismo é o facto de ter criado, disseminado viralmente monstros de máscara por todo o lado. Monstros facebookeanos, por exemplo.
E, mais grave ainda, o facto do campo espiritual estar a ser virtualmente invadido por ele. Este narcisismo psicológico com a moda do New Age (Nova Era) passou a ser também um narcisismo espiritual.
"A minha sessão de yoga é para o meu corpo organizado poder mais, gozar mais".
"Quando eu rezo, rezo a mim mesmo". O eu, para muitos, tem se tornado o centro absoluto de valores e preocupações. Tal atitude é uma forma de idolatria, obviamente relacionada aos tradicionais vícios do orgulho e da vaidade, e bem fundada na tentação verdadeiramente antiga: "Sereis como deuses". É claro, a maioria dos narcisistas americanos voltados para si não vai tão longe, mas há uma forte tentação para se aceitar um lema antigo do Burger King: "Have it your way" ("Faça do seu jeito")." in http://ars-the.blogspot.pt/2012/01/baguncando-missa-o-problema-do.html
Na minha humilde opinião, este texto faz um diagnóstico polémico de muitos dos novos jovens portugueses do século XXI, certeiro como a sabedoria dos antigos caçadores. Na "mouche".