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27/07/14

Somos livres ou escravos quando andamos no Facebook?


Foto: Instalación '24 hrs in photos' de Eric Kessel / GUNNAR KNECHTEL


Somos livres ou escravos quando nos deixamos seduzir pelas redes sociais? 

De um lado, muitos dizem que a rede é um campo de oportunidades. Há como que um deslumbramento perante a magia e as possibilidades da nova tecnologia. Depois, pouco a pouco, começa a surgir a dúvida e instala-se a paranóia. Será que estou a ser espiado e controlado? Será que tudo isto serve apenas para reforçar o controlo planetário das grandes corporações e do capitalismo financeiro? Não será o Facebook (e as outras redes que nos envolvem) uma forma disfarçada de uma nova religião mundial? Sentimo-nos, ao mesmo tempo, ameaçados por um poder gigantesco e impelidos a agir para evitar a perda de privacidade. Um agir que pode fazer-nos cair no mundo da paranóia e da desconfiança.

Como encontrar o equilíbrio entre a Apoteose e o Apocalipse? Como ser capaz de viver sem preconceitos no mundo da complexidade, conhecer esse mundo nos seus lados mais claros e também mais sombrios e simultaneamente dar-se conta do seu carácter profundamente alienante, profundamente religioso, no sentido mais cruel, ao criar cada vez maiores desigualdades entre os humanos?

jpn

"Evgeny Morozov o Luke Dormehl, Edward Snowden o un estudiante holandés, grandes diarios o diversos sitios en la Red han acompañado su emplazamiento con alertas muy contundentes sobre el uso de nuestros datos en Internet y el peligro que ello supone en materia de libertad o de protección. Datos que, dicho sea de paso, no son ofrecidos por el espionaje o la vigilancia de antaño —KGB o Stasi, CIA o FBI, Mosad o Interpol—, sino por nosotros mismos, que vamos desgranando, minuto a minuto, el catálogo de nuestros perfiles para uso y abuso de las compañías comerciales, los Gobiernos y sus agencias de seguridad.
[...] Crece, en fin, una corriente de sospecha, por no decir paranoia, que ha venido arrastrando a un número creciente de individuos que se sienten amenazados y al mismo tiempo responsables de su desprotección [en la red]. Una situación que estos autores consideran irreversible, narrada desde una preocupación que llega demasiado tarde. El eslogan "Internet nos hará libres" parece desdibujarse ante la certidumbre de que, al menos, también nos puede hacer esclavos.
[...] Asimismo, uno sale con cierta confirmación del carácter infalible de Internet; como si la zona pornográfica, rudimentaria, gamberra, kitsch, incluso barroca del sistema no fuera capaz de jibarizarlo y llevarlo a los límites de su legislación o funcionamiento.

Big Bang Data es deudora, entre muchos otros, del paradigma Complexity, aunque se instala en un momento en que el de la Desigualdad (Inequality) está llamado a afianzarse, como puede verse cruzando una calle o en el último libro de Thomas Piketty. Desde esa circunstancia, es muy probable que todos los conflictos se subordinen a esa disparidad que también crece por minutos bajo esa montaña de datos que nos presuponen entregados, de motu proprio, a nuestra dominación."

Iván de la Nuez, "Del Apocalipsis a la apoteosis", in El Pais, 26 de Julio de 2014. http://cultura.elpais.com/cultura/2014/07/24/babelia/1406193545_148939.html

Texto de Iván de la Nuez encontrado no facebook de Jorge Martins Rosa

Os três perigos do Facebook: aceleração voraz, nova cegueira e narcisismo.



"E aqui, ou nos juntamos num redesenho da comunicação ou isto torna-se muito estranho."
Guta Moura Guedes





No facebook, "temos assistido [...] a uma crescente precipitação de opiniões e julgamentos como se subitamente todos nós tivéssemos tornado detentores de uma – qualquer – verdade ou razão." (Guta Moura Guedes) Como ondas ressonantes, os assuntos sucedem-se levando milhares de utentes a comentarem e/ou copiarem "posts" atrás de "posts".

Somos como crianças maravilhadas com o novo brinquedo. Ainda andamos tacteando, ensaiando formas de o usar como num jogo que ainda não conhecemos. Ora, esse jogo, se mal jogado, tem os seus perigos. Falarei dos três que me parecem mais importantes: aceleração voraz, nova cegueira e narcisismo.

1. O perigo da precipitação e da aceleração. Uma "precipitação" de opiniões e imagens tentando sempre ter a última palavra, uma procura ansiosa da aprovação do "outro", uma forma que tende a tornar-se perigosamente narcisista. Ou, nalguns casos, carregada de pequenas invejas não assumidas e frustração. O apelo das imagens e vídeos, da comunicação interactiva leva-nos a uma espécie de delírio comunicativo, a uma aceleração voraz que nos impede de "digerir". De tal forma, que nos expomos a uma perda dramática da nossa privacidade e do nosso tempo de vida. Aliás, segundo muitos especialistas, a privacidade já foi perdida por quase toda uma geração.


"E há uma nova realidade, inexorável: nunca, em momento algum, tanta gente teve tão completo acesso a tudo o que se escreve e regista visualmente, mesmo na maior intimidade, deixando, em paralelo, de dedicar tempo de processamento do que lê ou vê. Ou porque mostramos ou porque somos mostrados, a vida profissional e a vida pessoal e privada mudaram completamente com a internet e com a comunicação digital, wireless e em tempo real ou em tempo mediatizado." (Guta Moura Guedes).


2. O perigo de uma nova cegueira virtual devido à "overdose" diária de imagens. A imagem fotográfica e do cinema "mainstream", pensado para o consumo rápido, transforma-se na solução atraente para se comunicar. A sedução da imagem é ainda um resquício histórico da idolatria no debate antigo dentro da igreja católica. A igreja temia, na idade média, a imagem como sendo fonte de tentações. De alguma forma, partilhava a suspeita de muitos povos não ocidentais que a encaram como fonte de bruxaria no sentido negativo. Mas, no caso da igreja, era o facto de ser fonte de suspeita, de ligação com outras verdades heterodoxas, fonte de pecado. Quando a imagem é pensada como estética e resistência tudo muda de figura. O acto criativo artístico, qualquer que ele seja, é subversivo. O pensamento estético, a sensação estética, sugere-nos uma via nova: usar a imagem deixando-se levar pelo seu carácter "demoníaco", pela sua abertura a outras percepções. De algum modo, podemos dizer que, de algum modo, a Igreja Católica acabou por ganhar a sua aposta na medida em que somos nós agora que interiorizamos essa proibição usando as imagens de forma ortodoxa, instrumental, sem ter consciência da imagem. Vemos cada vez mais rapidamente mas não olhamos. As imagens deixaram de ser olhadas por elas mesmo na sua possibilidade de desmontar as idolatrias, de serem plurais apesar do que se passou em grande parte da arte do século XX. Cada vez mais, as imagens são "vistas" numa cegueira constante fascinados pelas emoções fáceis, pelos modelos aprovados de comportamento "masculinizado" ou louco no sentido de irresponsável (uma loucura suave que funciona como analgésico para suportar a crueldade do mundo real). A disseminação das fotos, do olhar fotográfico referido por  Walter Benjamin e, agora ecrânico, segundo Pedro Rodrigues Costa, acaba por criar uma nova cegueira como se, em certa medida, estivéssemos possuídos por uma religião fanática, por um novo monoteísmo invisível.



3. O perigo da hipervalorização do nosso ego, do nosso narcisismo. De algum modo, é uma civilização infantilizada a que estamos a criar. A que muito dificilmente passará da fase do espelho, do culto do "selfie". As imagens desse tipo disseminam-se por todo o lado. Um ego que muito dificilmente coopera dominado pela lógica da competição cruel.

"Iremos aprender a gerir melhor o que dizemos e partilhamos ou então iremos aprender – o que é mais interessante do ponto de vista evolutivo – a contextualizar melhor, a relativizar e a fazer verdadeiramente o exercício de entender o outro, sem o querer julgar logo à partida ou só pela nossa perspectiva." (Guta Moura Guedes).


Em síntese, para evitar estes três perigos teremos de ser capazes de praticar, aprender fazendo, uma nova forma de cidadania digital, uma cidadania de "resistência" a esta aceleração voraz.








Anexo




Fragmentos do artigo de Guta Moura Guedes que inspirou este texto, "Estamos a comunicar?", Público de 5 de Março de 2014:

"Há uma nova realidade, inexorável: nunca, em momento algum, tanta gente teve tão completo acesso a tudo o que se escreve e regista visualmente, mesmo na maior intimidade, deixando, em paralelo, de dedicar tempo de processamento do que lê ou vê. Ou porque mostramos ou porque somos mostrados, a vida profissional e a vida pessoal e privada mudaram completamente com a internet e com a comunicação digital, wireless e em tempo real ou em tempo mediatizado. 

Mas mais e mais complexo. Acabou também um certo sentido universal, comungado, sobre o significado das palavras, que nos permitia uma base de sustentabilidade comunicacional mínima. Já não partilhamos significados e faltam-nos palavras novas.

Neste aumento do desfasamento de competências entre a emissão e a recepção, estamos a duas velocidades distintas, com a particularidade de nos encontramos embebidos numa voracidade predadora, dada a dureza dos tempos que atravessamos. Voracidade que nubla o pensamento e dificulta a cooperação, a compreensão. Mudou muita coisa na comunicação e nós – temos de o confessar – não conseguimos ainda perceber o quê."

"Quando se comunica abrem-se sempre várias portas à interpretação. Todos nós criámos o nosso próprio Blade Runner a partir do clássico Do Androids Dream Of Electric Sheep? de Philip K. Dick ou a nossa visão sobre a obra de Gerhard Richter. Mas essa, claro, não é a questão de fundo. A questão inicia-se não só na dimensão do que é público mas do que – acima de tudo – não é escrito, falado ou criado com a intenção de o ser ou com a consciência de que público, hoje em dia, significa o mundo inteiro. Todo.

Iremos aprender a gerir melhor o que dizemos e partilhamos ou então iremos aprender – o que é mais interessante do ponto de vista evolutivo – a contextualizar melhor, a relativizar e a fazer verdadeiramente o exercício de entender o outro, sem o querer julgar logo à partida ou só pela nossa perspectiva.

Uma coisa sabemos. Comunicamos no século 21 – globalmente – e interpretamos ainda como se estivéssemos no século 20 – provincianamente. Entender esta nova forma de partilhar informação implica uma maturidade que ainda não temos enquanto sociedade. E aqui, ou nos juntamos num redesenho da comunicação ou isto torna-se muito estranho. Acima de tudo porque penso que não reflecte algo que nos caracteriza como espécie e que nos permitiu – entre outras características – sobreviver e evoluir. Que é a nossa capacidade de genuinamente entender o que nos diferencia e de fazer disso uma força, cooperando."

Guta Moura Guedes, "Estamos a comunicar?", "Público" de 5 de Março de 2014.

11/09/13

A propósito do "narcisismo" no facebook: notas avulsas sobre a "fase do espelho" referida pelo psicanalista Jacques Lacan



“O homem e a mulher são, do ponto de vista corporal, fetos de primata
 que atingiram [prematuramente] a maturidade sexual” (Bolk, 1960).
É necessário dizer claramente que, ao contrário do discurso dos psicólogos da normalidade, o "narcisismo" não é um desvio ou uma doença. É a característica essencial da sociedade ocidental em que vivemos. Um vírus que tende a aumentar exponencialmente com as redes digitais, com a aceleração do fascínio pelas imagens e, finalmente, com a alucinação "normalizada" que corre nas redes sociais, nos jogos e no sexo digital.
Para se perceber a noção de "narcisismo" referida em posts anteriores, irei recorrer ao psicanalista Jacques Lacan.
Antes, alguns comentários rizomáticos. Acerca do homem como um ser epifilogeneticamente alienado, um ser que tende a viver imenso tempo na "fase do espelho". Uma tendência hipervalorizada no Facebook. 


De acordo com o psicanalista Jacques Lacan, somos seres em angústia, todos potencialmente neuróticos, pela nossa ligação demasiado intensa e longa, mimética com a mãe enquanto bébés. Somos, na verdade, o animal que passa mais tempo nesse estado de total falta de autonomia depois de nascer. De algum modo, o homo sapiens é cientificamente um "nascido"  antes do tempo, um "aborto". Mais tarde, ficamos naturalmente marcados para toda a vida. Dependendo da nossa liberdade e da forma como somos "educados" ou "libertados", podemos seguir sendo egocêntricos num eu-espelho, num narcisismo que a sociedade de consumo incentiva todos os dias. Podemos todos os dias viver na euforia do espelho, numa traição ao eu-profundo (ver livro de Arno Gruen: A traição do eu). Esse narcisismo é o campo onde pode nascer a semente da crueldade psicopata. Ou então, se tivermos sorte, podemos "dar a volta", muitas vezes por caminhos pouco luminosos, encontrando pouco a pouco o nosso eu autêntico, um eu descentrado, pré-individual, como defende algures o filósofo Gilbert Simondon e o psicanalista Carl GustavJung. Mas isso é outra história...

Mas ao contrário, por exemplo de outros animais como o cão, com uma outra percepção visual [menos concentrada na "fovea", no centro da retina] e um uso mais amplo dos sentidos nomeadamente o olfacto, o homem tem um olhar dirigido, analítico, pouco holístico (ver o Manifesto Cyborgue da bióloga e pós-feminista Donna Haraway). O homem está centrado na percepção visual da fovea (necessária para o homem primitivo ter acuidade visual na caça) tendendo por isso, na sociedade actual, a ficar dependente do espelho e das percepções visuais "focadas". Por isso, a insistência doentia nas imagens, no sexo por imagens, na apresentação da nossa "face", na rostridade através, por exemplo, das fotos pessoais no "Facebook".

Este eu-ego, criado no mimetismo da infância na relação com a mãe, é uma "instância de desconhecimento, de ilusão, de alienação, sede do narcisismo. É o momento do Estádio do Espelho". Um 'Eu' criado pelo nosso Imaginário, "juntamente com fenómenos como o amor, o ódio, a agressividade" (ver "Jacques Lacan", In Wikipedia). São fases imaturas, de máscara mas que podem durar infelizmente toda a vida.

A sociedade do "trabalho-mercadoria" faz todo o possível para que assim seja. Infelizmente, para mal do planeta e das nossa vidas, a maioria dos que nos governam, principalmente os gestores das grandes corporações multinacionais, são no fundo crianças egocêntricas com tendência psicopatas (ver livro do conhecido psicólogo Arno Gruen, "A loucura da normalidade").

Vejamos então o texto de Léa Silveira Sales.

“O homem é, do ponto de vista corporal, um feto de primata que atingiu a maturidade sexual”. 

"

Segundo Lacan (1966, p. 96) há  “[...) Lacan confere o estatuto de “Discórdia primordial [do homem]”; o fato de nascer prematuro – com o mal-estar e a falta de coordenação motora que isso acarreta – não permite ao homem o estabelecimento de relações fisiológicas suficientes com o meio e é essa lacuna que a imagem possui a função de preencher [nomeadamente a importância do olhar da mãe que o apaixonado, um estado de 'pathos', retoma no olhar do amado ou amada]; é ela que passa a mediar a relação do homem com o mundo.


O estágio do espelho constitui, justamente, um dos modos dessa relação: “A função do estágio do espelho revela-se [...] como um caso particular da função da imago, que é estabelecer uma relação do organismo com sua realidade [...]” (Lacan, 1966, p. 96).

Lacan compara o recurso à imago no ser humano ao fenômeno da deiscência (abertura das sementes) na botânica; Bowie (1991, p. 29) esclarece a analogia: “[...] a auto-alienação do sujeito é tão ‘natural’, tão inevitável, quanto a auto-propagação das plantas.”
Segundo Ogilvie (1991), o homem é finalmente definido como um ser inacabado a partir de 1926 com os trabalhos de Bolk que apoiavam essa definição em dois fatores: a neotenia – grande demora no desenvolvimento com relação às outras espécies – e a 
fetalização – existência de traços anatômicos arcaicos: características que, nas outras espécies, pertencem apenas ao estágio fetal permanecem presentes no homem durante toda a sua vida; nas palavras de Bolk (1960 apud Ogilvie, 1991, p. 115): “O homem é, do ponto de vista corporal, um feto de primata que atingiu a maturidade sexual”. 

Para Lacan (1966, p. 186), é preciso, então, que a imagem venha suprir, no homem, as deficiências causadas pela neotenia e pela fetalização: 

“É em função desse atraso do desenvolvimento que a maturação precoce da percepção visual adquire seu valor de antecipação funcional”. 

Léa Silveira Sales, "Posição do estágio do espelho na teoria lacaniana do imaginário" 

27/08/13

"Tu constróis a tua própria realidade", um novo tipo de narcisismo?

“You Create Your Own Reality” (short: YCYOR). The trap in spiritual work is to think exactly that and oversimplify ideas to comfort us, leading to spiritual bypassing, not realizing that there are many realities and dimensions/densities interacting and influencing each other and there is a "spiritual war" going on in this day and age, much of it it outside our realm of perception". 


Michael Topper in http://cassiopaea.org/2010/09/15/why-you-dont-create-your-own-reality-an-antidote-to-fatuous-new-age-paradigms/ (retirado de um post encontrado no Facebook)


Qual é o problema das novas espiritualidades, divulgadas no Facebook, quando, sobre o lema "tu constróis a tua própria realidade", caem num novo tipo de narcisismo?
 
Não existe o eu e o tu fora da nossa espécie, fora da nossa mãe-terra ou biosfera. Somos todos o mesmo coração, como diziam os antigos "Mayas" da América Latina. "Eu sou tu". Essa solidariedade é a base da mudança perceptiva. Somos todos um e essa unidade inclui humanos (crianças, mulheres e homens), animais e outros seres. Essa unidade ontológica leva-nos naturalmente a uma outra percepção do mundo desde que não haja ressentimento e ódio no nosso coração.


Muitas vezes, na sociedade ocidental, estamos separados dessa unidade pela educação, principalmente pelas mães que tivemos. Mães que sofreram por não poderem ser femininas, como diz o psicólogo Arno Gruen. Pela dominação do principio activo masculino de conquista e de domínio do outro e da natureza. Esse vírus transmite-se pela educação inicial até cerca dos 3/4 anos de idade. O essencial do que somos está feito, estamos moldados. Depois, muito dificilmente se consegue mudar. Apenas por uma conversão que deve ser diariamente activada e renovada. Pelo coração.


Ver também o texto: http://socialsoftware-portugal.blogspot.com.es/2013/08/para-uma-ecosofia-da-mente-have-it-your.html

30/06/13

Uma "nova" forma de indignação que sucede no Brasil de 2013?

Nota: a foto de uma manifestação de jovens indignados em São Paulo anterior ao movimento de 2013. Era uma minoria de indignados, cerca de 200, em 2011.




Há uma certa confusão em alguns investigadores sociais quando falam das novas formas de contestação no Brasil de Junho de 2013.

Para muitos destes autores, inspirados em grande parte numa versão do marxismo, o que se passa no Brasil é iniciativa de classes médias insatisfeitas e Lumpen-Proletariado. Alguns usam, de algum modo, explicações vagamente conspiratórias. 


Outros, como Elisio Estanque, falam de revolta da nova classe média. Sentem que algo falha na análise marxista tradicional. "Há uma retórica marxista dogmática que quer à força ver nos atuais protestos aquilo que não são: uma vanguarda virada para a revolução proletária. Outros, tomam a nuvem por Juno e concluem que é tudo fabricação da direita e dos média." 

Citando: "esta é uma nova classe média: não a das classes A-B instaladas, não a dos interesses individualistas, mas um novo segmento que, ao ser embuido dos sentimentos de partilha e de luta coletiva (como em outros momentos da história) que os atuais movimentos proporcionam, ao viver esta experiencia de luta, estarão mais tarde em condições de orientar o Brasil para o rumo do desenvolvimento”. (Facebook de Elísio Estanque, 28 de Junho de 2013). 

Uma nova classe média com alguns laivos de radical? Talvez seja possível mas a minha experiência, leituras e algumas conversas ao acaso dizem ou falam de uma outra forma de pensar e agir nesta multiplicidade de redes que se conecta de forma rizomática (conceito de Gilles Deleuze) ligando, de uma forma íntima, o digital e o não digital. 

Pensando o problema de um ponto de vista sociológico radical (que vai à raiz das coisas), diria que a nossa "carpela" sobre o real, usando conceitos como “classe social”, apenas nos dá uma imagem muito difusa desta realidade. Porque não usar então uma outra metáfora, sem negar a especificidade e correcção do que se diz usando a outra metáfora mais pesada (Classe remete para ordem...)? Uma metáfora mais hábil, mais útil como ferramenta teórica? Talvez as palavras "rede", "rizoma" ou “multitude” sejam as mais justas e potentes.

Não retirando razão total a alguns argumentos de uma sociologia do “social” mais presa ao modelo “newtoniano” da procura de regularidades, parece-me que o que sucede apenas pode ser justamente compreendido com a lógica rizomática, uma onda de “multitudes” como defende Antóinio Negri, que as redes sociais híbridas, em parte, incentivam.

©José Pinheiro Neves


24/01/13

Diário de um Facebookeano (1) - Ser ou não ser, no facebook, eis a questão.




24 de Janeiro de 2013

Hoje li um testemunho frontal no Facebook. "Ando cansada e desiludida com o Facebook. Revela-se um nicho pouco sério, onde impera a coscuvilhice e a intriguice, repetindo a pequenez da aldeia, onde tudo está à janela para dizer mal do parceiro e julgá-lo. Devia ser um espaço de opinião livre, de discussão franca e aberta, de amizade, de transmissão e partilha de conteúdos interessantes e de cultura (já que as instituições culturais deste país estão a morrer e precisamos de substitutos) e não de denúncia pidesca, sempre que alguém diz a verdade." Maria João Cantinho (24 de Janeiro de 2013).

Relembro muitos testemunhos semelhantes, ao longo dos últimos anos, escritos por pessoas que tomam consciência dos perigos da comunicação nas redes nomeadamente das formas de manipulação e até de agressão verbal, que se podem transformar, quando sistemáticas, em formas modernas de Bullying.

Valerá a pena, tendo em conta estes fenómenos, estar em redes como o Facebook?
 
Penso que, tal como a galáxia Gutenberg, as redes sociais são sobretudo a expressão, alargada, de formas de escrita, formas de vida e de individuação.
 
Será que, devido aos maus escritores e livros péssimos, aos leitores superficiais, eu deveria deixar de entrar nessa rede (uma internet antiga) que são os livros impressos? Ficar reduzido à minha família, ao meu grupo de amigos que encontro no local de trabalho ou no café?

06/03/11

As redes sociais e os novos movimentos sociais: a visão de Fernando Henrique Cardoso


Fernando Henrique Cardoso (sociólogo e ex-Presidente do Brasil) mostra até que ponto as ligações em rede da Internet ao articularem-se com outras redes, ligações mais tradicionais (face-face), podem mudar o mundo e abalar igualmente os esquemas tradicionais de pensar o "social" e as suas transformações.

"Uma delas é que as ordens sociais no mundo moderno se podem desfazer por meios surpreendentes para quem olha as coisas pelo prisma antigo. A palavra, transmitida a distância, a partir da soma de impulsos que parecem ser individuais, ganha uma força sem precedentes. Não se trata do panfleto ou do discurso revolucionário antigo nem mesmo de consignas, mas de reações racionais-emocionais de indivíduos. Aparentemente isolados, estão na verdade "conectados" com o clima do mundo circundante e ligados entre si por intermédio de redes de comunicação que se fazem, desfazem e refazem ao sabor dos momentos, das motivações e das circunstâncias. Um mundo que parecia ser basicamente individualista e regulado pela força dos poderosos ou do mercado de repente mostra que há valores de coesão e solidariedade social que ultrapassam as fronteiras do permitido." F.H.C.


23/05/10

Cuidado com os "especialistas" em redes sociais que aparecem como "novos profetas da web 2.0".


Para se compreender as redes sociais, existem ferramentas na área das Ciências Sociais. Pode-se usar a Análise das Redes Sociais: "métodos para a mensuração das relações de poder e influência, identificar pontos de concentraç ão das informações, enfim, trata-se de uma área multidisciplinar – e, por isso, fascinante – que envolve, além da própria sociologia, estatística, matemática, comunicação e tecnologia" (ver os artigos de Raquel Recuero: http://pontomidia.com.br/raquel/arquivos/livro_redes_sociais_na_internet.html ) .

Sim mas não é a única. Temos também outras ferramentas e teorias que podem complementar de forma qualitativa (e criticar) a Análise das Redes Sociais : a sociologia do imaginário (André Lemos, Maffesoli), a etnometodologia (Garfinkel), a teoria do actor-rede (Latour), a Escola de Palo Alto (Bateson), etc.
A propósito, ver este meu texto sobre o conceito de rede:
http://neves.do.sapo.pt/Mexico2003.pdf

"Na sociologia, o campo que dá conta deste assunto é o da Análise de Redes Sociais (SNA, em inglês). Ele se dedica a propor métodos para a mensuração das relações de poder e influência, identificar pontos de concentração das informações, enfim, trata-se de uma área multidisciplinar – e, por isso, fascinante – que envolve, além da própria sociologia, estatística, matemática, comunicação e tecnologia.
[...]

Para quem quer se aprofundar em comunicação na redes sociais sugiro conhecer inicialmente o trabalho da Orgnet e comparar com aquilo que é oferecido no Brasil pelas ditas agências 2.0. Em seguida, vale uma parada no site da International Network for Social Network Analysis. Por fim, indico a leitura do e-book Introduction to Social Network Methods, que oferece uma bela visão sobre o tema. Com isso, você estará bem munido para encarar de forma crítica os argumentos e as proposta superficiais desses novos profetas da web 2.0."
André de Abreu
http://imezzo.wordpress.com/2009/08/25/cuidado-com-o-especialista-em-redes-sociais/

05/04/10

"Adiciona-me", reportagem de Rita Colaço sobre as redes sociais, na Antena 1


"Adiciona-me", reportagem de Rita Colaço sobre as redes sociais, na Antena 1 de Lisboa (27 de Março de 2010).


"Adiciona-me" é uma reportagem de Rita Colaço, sobre as redes sociais, que tenta responder à pergunta: Mais informação e mais comunicação é sinónimo de melhor comunicação? Com entrevistas a José Bragança de Miranda, Massimo Di Felice e outros pesquisadores portugueses. Fornece também uma panorâmica internacional sobre a difusão das redes sociais.

05/03/10

Social Media Revolution


Social Media Revolution
www.youtube.com
"Social Media Revolution: Is social media a fad? Or is it the biggest shift since the Industrial Revolution? This video details out social media facts and figures that are hard to ignore. This video is produced by the author of Socialnomics".

25/02/10

Orkut way of life

Um texto que reflecte uma experiência de social-networking.

Para ler com atenção e tempo.


"Orkut way of life

Vejamos: o que faz um brasileiro típico (da classe média com acesso a internet) ao chegar no trabalho na segunda-feira pela manhã? Ele faz duas coisas, na verdade. A primeira delas é abrir o e-mail; a segunda, o Orkut, para dar uma conferida no que "rolou" nos últimos dias (ou horas, se for um fanático ), ver suas mensagens, verificar se algum "amigo" novo o adicionou, se aumentaram os coraçõezinhos do seu perfil, essas coisas todas. Estamos diante de uma nova maneira de encarar a internet e as "relações" por ela fabricadas. O papel do Orkut (e de suas dezenas de imitações atuais: "Orkut" para pessoas bonitas, para ricos, para o público GLS, etc. ) já não pode mais ser ignorado. É o Orkut way of life cada vez mais presente no cotidiano das pessoas virtuais, como nós.

Um tempo atrás, enviei um e-mail à minha prima. Ela não respondia, e eu perguntei o motivo desse desprezo. Ela disse que não lia e-mail, que se eu quisesse "falar" com ela tinha que deixar scrap, pois era muito mais fácil (“manda scrap, pô!” ). Eu dei uma investigada e descobri que a "galera" dela também não lê e-mail, uma menina até comentava que nem lembrava de sua senha. O negócio era o Orkut! Não importa o tipo de mensagem, era lá que ela deveria ser colocada! Isso é um fenômeno interessantíssimo e, parece, o grande canalizador das discussões do Orkut. Não é necessário privacidade, individualidade, nada disso. O Orkut te coloca de fato no mundo digital, quer você queira, quer não. E o pior é que isso é o atrativo principal, entende? Ali, a idéia é justamente essa: exposição. Ninguém entra no Orkut, em princípio, para ficar escondido (exceto alguns grupos de que falarei abaixo ). O Orkut existe para você aparecer, para suas amigas escreverem que vão passar na sua casa às 21h hoje à noite para irem dançar forró e que você gosta de beber cerveja e odeia o Lula, e que tem muitos "amigos". Aliás, o que tem escrito na entrada do site? “Quem você conhece?” Isso perdeu o sentido quando o Orkut, seu criador, adicionou alguém que não era seu amigo (ou foi algum amigo dele que fez isso? ). O Orkut passou a ser um "site de relacionamento" (não um cadastro de amigo, como foi concebido ), uma vitrine de pessoas de verdade e de mentira (a maioria), onde podemos "selecionar" os amigos, da mesma maneira que selecionamos as comunidades, como se estivessem disponíveis em uma prateleira.

O fato de ele ser um shopping de personalidades é uma das partes boas. Não há nada de errado com isso. Não há problema em querer encontrar pessoas diferentes de você, que odeiam aquela banda que você adora, que adoram aquele filme que você detesta, ou mesmo iguais. A diversidade também existe no mundo digital, sabe? Estas pessoas criam comunidades, discutem temas que te interessam, indicam livros, filmes, sites, falam um monte de absurdos, etc. Todo mundo pode encontrar algo ou alguém interessante no Orkut, para falar a verdade. E o Orkut é isso, na minha opinião: um shopping de pessoas e de seus gostos.

Como tudo que é composto por pessoas, o Orkut também tem seus problemas. A maioria das pessoas mente, mente descaradamente, aliás! Conheço pessoas que estão em comunidades de autores que jamais ouviram falar, de livros que nunca leram, de filmes que nunca viram. Já que pode mentir, (quase) todo mundo aproveita! Por que, claro, no ambiente "competitivo" como este – o Orkut, em que preciso me "vender", as pessoas só "compram" os melhores, os mais cultos, os mais bonitos, os mais legais, os que tenham mais amigos. Está certo, quem vai adquirir uma televisão preto e branco se pode ter uma de plasma?! Além disso, por que tenho que ser menos que meu vizinho, que mente no perfil dele? Não, não posso admitir isso! Preciso de centenas de amigos, de boas comunidades e de milhares de scraps que atestam que "eu sou o cara", eu sou legal... adicionem-me, portanto!

Há ainda os que não se mostram, estes, geralmente, estão relacionado a sexo. "Pessoas" falsas no Orkut, que colocam fotos de seus órgãos genitais, são milhares. Ali, claro, estão protegidos. Podem ser o garanhão, a vagabunda, não precisam ser eles mesmos. É incrível como no Orkut as pessoas são bem dotadas, bonitas, inteligentes, cultas, leitores compulsivos, repletos de amigos. Quase ninguém é infeliz por lá! O Orkut permite isso, esse mundo de sonhos, de faz-de-conta, de mentira. É através dele que estabelecemos vínculos, nos aproximamos de amigos de antigamente, conhecemos gente nova, criamos laços de afeto e de rancor. Baseamos tudo isso em uma ferramenta edificada sobre a mentira, sobre a enganação, sobre a competição. O Orkut parece ser o depositário da humanidade, o depositário das aspirações verdadeiras de gente de mentira.

Depois de um certo tempo no Orkut way of life, a brincadeira começa a cansar. Se você não usa o Orkut como e-mail, como é meu caso, felizmente, não há motivos para ir lá todo dia. Amanhã será igual a hoje, que foi igual a ontem. Do ponto de vista tecnológico, digamos assim, acho que o Orkut do jeito como está hoje não sobrevive muito (se bem que ainda tem toda uma China para conhecê-lo, não é? ). Acredito que a tendência é que ele disponibilize um blog, um fotolog, talvez uns joguinhos, ou será seu fim. A gente começa a se cansar das pessoas, das coisas, com o Orkut é assim, acho. Seja como for, o Orkut é a maior sensação da Web desde o Google, não há dúvidas. Se eu estivesse fazendo propaganda, diria: 12 milhões de pessoas não podem estar enganadas! Ou podem?, sei lá. Seja como for, Orkut way of life é isso, é considerá-lo parte do seu dia-a-dia virtual, é abrir o e-mail e ele também, é tirar fotos novas para alterar no seu perfil, é responder os parabéns virtuais que você recebe pelos scraps, é procurar aqueles seus vizinhos de 20 anos atrás, é incorporar tudo isso a seu cotidiano virtual, gostando ou não. E, então, se um dia você cometer Orkutcídio, é saber que você está sozinho nessa, meu amigo, que todo mundo que você conhece ainda está lá, que vão te chamar de diferente, de estranho, de chato... você não vai mais ser o cara legal. (De repente até vale a pena, hein? )

A propósito, já percebeu que hoje em dia, quando você conhece alguém, o cara logo te pergunta se você tem Orkut e diz que vai te adicionar? Ninguém mais pergunta se você tem e-mail, perguntam se tem Orkut! O Orkut agora é o RG digital das pessoas, caso você ainda não tenha percebido que isso é Orkut way of life, eu já não sei mais nada...

É claro que muita gente vai me mandar e-mail reclamando (e xingando! ) dizendo que não gostam de Orkut, que nunca entraram no Orkut, que não é todo mundo que é assim, vivendo no Orkut way of life, que eu generalizo, que existem pessoas que não se rendem a esta idiotice, etc. Claro que não! , poupem seu tempo. Esse mundo é grande demais para todo mundo ser igual e fazer a mesma coisa. Mas a regra é essa: estar no Orkut! 60% Dos brasileiros com acesso a internet são a regra, você que lê mais de 1,8 livros por ano e não está no Orkut é que é a exceção. "

Marcelo Maroldi

24/02/10

Da importância do quotidiano no estudo das redes digitais (Gabriel Tarde)

Comentário ao artigo:
Gonçalves , Márcio Souza; Clair , Ericson Saint, "Antes Tarde do que nunca: notas sobre as contribuições de Gabriel Tarde para a análise da articulação entre comunicação e cultura"

Neste texto, critica-se a abordagem macro, de tipo "epocal, que valoriza as grandes transformações sociais com uma imagem estática de um social coercitivo e transcendente (ver Durkheim e, mais recentemente, McLuhan e Guy Debord).

O estudo dos fenómenos como as novas redes sociais mediadas digitalmente deve valorizar igualmente as apreensões subjectivas e diferentes que agregadas constituem a realidade tal como é defendido por Gabriel Tarde, Certeau, Le Roy Ladurie e Descola. Devem-se evitar as diferenciações entre moderno e pré-moderno em torno de grandes categorias reificadas. De facto, no meio da novas tecnologias digitais coexistem lado a lado o moderno e o pós-moderno.

Inspirados em Gabriel tarde, os autores sugerem que, recusando a opção de Émile Durkheim, centrado numa "imagem do social (imagem estática, de um social coercitivo e transcendente), Tarde permite repensar as relações entre subjetividade e sociedade, estabelecendo pontes entre essas duas instâncias, cuja interdependência é freqüentemente evidenciada em suas obras. Mesmo um indivíduo, para Tarde, é uma generalização: de fato, trata-se de um composto singular de fluxos diversos de crença e desejo em constante autodiferenciação. Apesar de adquirir notável importância em sua sociologia, o indivíduo não é origem de tudo que há, o fundo primeiro são os fluxos de crença e desejo que, dentre outras coisas, o atravessam. Esses dois elementos, crença e desejo, são a base de toda a teoria social tardeana, as unidades que tudo no universo formam: são as “quantidades psicológicas irredutíveis” de todo o mundo vivo e, por conseguinte, de todo o mundo social"
(p. 142).

Este novo pensamento "permite um nível de análise que merece hoje em dia ser fortalecido, o nível das micro-análises" (p. 145).

Por exemplo, permite repensar as visões macro que criam divisões claras entre as sociedades modernas (ou pós-modernas) e as pré-modernas. "A relação entre tecnologia de comunicação e
cultura tem sido pensada por diversos autores. Rapidamente, podemos citar McLuhan, Escola de Frankfurt, Debord, Gumbrecht [Nota pessoal: e as análises marxistas]. A lista poderia ser continuada longamente. Essas análises se baseiam, de modo geral, numa forma de raciocínio que opera considerando o todo da sociedade e os efeitos de conjunto da presença das tecnologias de comunicação. Isso leva a caracterizações bastante amplas" (p. 145).

Sugere-se que essa imagem macro e estabilizada do social apresenta inconvenientes devendo ser complementada com a dimensão macro e o estudo das grandes permanências incidindo sempre no quotidiano, nas pequenas percepções:

1 - Primeiro, "deve ser considerada a dimensão micro, a dimensão mais concreta que, em sua diversidade, compõe o que se pode chamar de cotidiano [...]. Essa dimensão micro, diferentemente da macro, que destaca grandes traços comuns, se interessa sobretudo pelo pulular de pequenas diferenças, de usos e apropriações singulares e pessoais dos diversos elementos presentes em um dado meio social, destacando-se, para o que nos interessa, as diversas tecnologias de comunicação existentes. A dimensão micro considera também, é evidente, a disseminação imitativa do inventado" (p. 145).

2 - Segundo, deve-se, ao mesmo tempo, estudar, nas suas ligações híbridas e complexas, o que permanece e que pode não estar ligado às novas tecnologias em si como o determinismo evolucionista tecnológico tende a sublinhar. "Ao mesmo tempo, a análise macro deve ser ligada à análise das grandes permanências, do que atravessa a sucessão das épocas. [...] Temos a permanência de formas básicas de operação e ordenação social, formas sem as quais não há sociedade possível. Tarde a elas se refere como os processos de imitação e de invenção, mas também como certas categorias fundamentais, condições a priori de toda experiência, tais como o espaço-tempo, a matéria, a divindade, a língua" (p. 146).

Finalmente, "temos também a grande permanência, a maior de todas, a do fato de que de todo grupo social se compõe de diferentes níveis coexistentes e contraditórios. Toda sociedade é agenciamento de heterogêneos. Nesse sentido, nenhuma sociedade é una, nenhuma sociedade é um bloco absolutamente homogêneo do qual as contradições estariam ausentes. Toda sociedade é conciliação de contraditórios, formação de um conjunto a partir da diversidade.
Esse ponto é especialmente importante quando da análise das sociedades qualificadas um pouco rapidamente de pré-modernas {...]. Vendo a modernidade como fragmentação individualista de uma experiência supostamente unificada, as sociedades pré-modernas são definidas como as do coletivo, do grupal. Ora, as investigações empíricas tornam bastante problemáticas essas maneiras de compreender o pré-moderno" (p. 146).


Gonçalves , Márcio Souza; Clair , Ericson Saint, "Antes Tarde do que nunca: notas sobre as contribuições de Gabriel Tarde para a análise da articulação entre comunicação e cultura", in Revista Galáxia, São Paulo, n. 14, 2007, p. 137-148




24/01/09

As redes sociais e a Igreja Católica

As "redes sociais" na internet começam a ser objecto de debate no espaço público.

"Numa conferência realizada pela Igreja Católica, a Conferenza Episcopale Italiana (CEI, ou na tradução, Conferência Episcopal Italiana), o bispo Don Domenico Pompili alertou para os perigos de redes sociais online como o Facebook.

Segundo o site The Inquirer, Pompili acredita que os serviços levam ao que chamou de “individualismo interconectado”.

Para o bispo, relacionamentos criados online não são reais, e sites de networking levam ao “egocentrismo online”, afastando relações reais. Compartilhando de sua opinião está também o bispo Mariano Crociata, que presidiu a CEI e alertou para a glorificação da internet.

(...)

De acordo com o site italiano WebNews, as opiniões fizeram parte de uma palestra chamada “Igreja na Rede 2.0”, em que foi defendida a necessidade da criação de um novo modelo de rede de comunicação online, diferente dos existentes e criticados".

Magnet / Geek Central

Ver:

http://www.geek.com.br/blogs/832697632/posts/9020-igreja-cat-lica-debate-redes-sociais-online

12/11/07

PhD Workshop: Researching Social Software

PhD Workshop
Researching Social Software28-30 November 2007
Location: Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Campus de Gualtar, Braga, Portugal















Course Leader: Adrian Mackenzie, University of Lancaster

Professor Adrian Mackenzie is Professor at the Institute for Cultural Research, Faculty of Social Sciences, University of Lancaster.

His research interests include anthropology of post-representational thinking and cognition; theories of capacity, individuation, invention and differentiation; wirelessness: cultural politics of infrastructure, embodiments of connectivity and network images; repetition and difference in video and audiovisual technology; new media/technological cultures and practices. See: http://www.lancs.ac.uk/staff/mackenza


His last books are:
• Cutting Code: Software and Sociality, Digital Formations Series, Peter Lang, NY, 2006

• Transductions: Bodies and Machines at Speed, Continuum Press, 2002; reprinted

Description and objective

This PhD-course aims to examine and discuss different versions and definitions of social software and how experiences of relation to others can be understood in social software. It also aims to situate software in terms of processes of production, consumption and exchange, and to discuss different approaches, techniques and difficulties involved in researching software.

Structure of the courseEach session would be 2.5 to 3 hours. Each session would have one or two readings to be done in advance. There are also websites and internet examples that should be consulted in advance. Student presentations would be part of each session.

Background reading for the workshop:
Maurizio Lazzarato (1996) 'Immaterial Labour', in Paolo Virno & Michael Hardt (eds.) Radical Thought in Italy: A Potential Politics, Minneapolis: University of Minnesota Press.

Programme
Session 1: What is social software?
Exploration of different versions and definitions of social software. This would best be done by working with same major examples including ebay, facebook, myspace, flickr, and youtube. The session would centre on close analysis of the visual and material cultures of examples. The reading for this session comes from a well known internet commentator, and publisher, Tim O’Reilly.

Session 2: Living with social software: self-other relations and sociality
Key example: Facebook or Second Life
Main focus of this session will be on how experiences of sociality, of belonging, of relation to others can be understood in social software. The readings analyse this from very different angles. The first is informed by Marxist thought, the second by social studies of technology.

Session 3: Social software in technological economies
Key example: Google
This session will situate software in terms of processes of production, consumption and exchange. The readings offer very different perspectives on this. Barry and Slater’s article comes from sociologies of science and technology. Benkler’s work comes from liberal political thought.

Session 4: Researching social software
Session on different approaches, techniques and difficulties in researching software.

Registration and contact:

The application deadline is 20th November 2007.
Please send by email a short description (no more than one page) of your PhD project, specifying your name, email address, affiliation, supervisor, your particular interest in the seminar and why you would benefit from attending it, to the organization committee (social.software.portugal@gmail.com). Number of participants: max. 15.
A fee will be charged for participation to cover administrative costs, tea/coffee and lunches and one dinner during the seminar. .The fee is 60 euros, payable on the first day of the seminar in cash (an official receipt will be given). Travel and accommodation are the responsibility of the participant.

For more information, contact:

José Pinheiro Neves (social.software.portugal@gmail.com)

Zara Pinto-Coelho (social.software.portugal@gmail.com)


See also:
http://socialsoftware-portugal.blogspot.com/
http://neves.do.sapo.pt/mackenzie/PhDSeminarMackenzie25Set07.pdf

Organization:


Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade
Centro de Investigação em Ciências Sociais
Universidade do Minho, Portugal


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Chamadas para candidatura
Workshop para Estudantes de Doutoramento: Investigando o Software Social.
28-30 Novembro 2007
Local: Instituto de Ciências Sociais, Campus de Gualtar, Braga
•Professor convidado: Adrian Mackenzie, Universidade de Lancaster(http://www.lancs.ac.uk/staff/mackenza)
Descrição e objectivo: Este workshop visa examinar e discutir diferentes versões e definições do software social, e o modo como as experiências de relacionamento com os outros podem ser compreendidas neste quadro. Também visa situar o software social em termos de produção, consumo e troca, e discutir diferentes abordagens e técnicas envolvidas na investigação sobre software social.
Estrutura: Cada sessão terá a duração de 2.5 a 3 horas. Pressupõe a leitura prévia de um ou mais artigos e a consulta de sítios na internet.
Fazem parte de cada sessão apresentações dos projectos de doutoramento dos participantes.
Sessão 1: “What is social software?” Exemplos: ebay, facebook, myspace, flickr, and youtube
Sessão 2: “Living with social software: self-other relations and sociality”. Exemplos: Facebook or Second Life
Sessão 3: “Social software in technological economies”
Session 4: “Researching social software

Candidaturas e contactos:
As candidaturas devem ser feitas até dia 20 de Novembro de 2007. Para o efeito, os interessados deverão enviar electronicamente uma descrição sucinta (não mais de uma página e meia) do projecto de doutoramento, especificando o seu nome, endereço electrónico, filiação institucional, nome do orientador, o interesse neste seminário e os benefícios que o mesmo lhe trará, para a comissão organizadora (social.software.portugal@gmail.com).
Aceitaremos 15 participantes.
O custo da inscrição, que cobre custos administrativos, chá/café, almoços e um jantar, é de 60 euros, a entregar no primeiro dia do Workshop (será dado um recibo oficial).
As viagens e a estadia são da responsabilidade dos participantes.
Para mais informação, contacte:
José Pinheiro Neves (social.software.portugal@gmail.com)

Para mais detalhes sobre o programa e exigências do curso, consulte:

09/09/07

Hi5 é a rede social mais visitada pelos portugueses

Estatísticas das redes sociais em Portugal


"Durante o primeiro semestre deste ano, 77,6 por cento dos internautas com mais de três anos, residentes em Portugal Continental, acederam a redes sociais online, o que corresponde a 2,3 milhões de utilizadores, mostram os dados da Marktest.

No total, foram vistas mais de mil milhões de páginas em comunidades virtuais entre Janeiro e Junho, com cada internauta a ver, em média, 465 páginas. O tempo despendido nestes sites, por utilizador, foi de 3 horas e 14 minutos, o que perfaz um total de 7,5 milhões de horas ao longo do semestre.

Tanto homens como mulheres apresentam comportamentos semelhantes neste campo. Porém, a diferença assenta no horário escolhido para visitar estes espaços virtuais. As mulheres lideram as visitas entre as 11 horas e as 23 horas, enquanto que os homens apresentam uma taxa de acesso superior a partir dessa hora e durante a madrugada.

O Hi5 é o site que atrai mais visitantes liderando a tabela com perto de 2,02 milhões utilizadores únicos ao longo do primeiro semestre. Os internautas nacionais acederam a 673 milhões de páginas,dedicando-lhes 4,9 milhões de horas.

O Spaces.msn.com foi o segundo classificado em utilizadores únicos, com 993 mil utilizadores, e o MySpace terceiro, com 571 mil.

No que toca ao número de páginas visitadas o destaque foi para o site Pt.netlog.com (124 milhões), a terceira posição foi assegurada pelo orkut.com, que registou 110 milhões de páginas visualizadas.

Por seu turno, o segundo lugar em tempo dedicado pertenceu igualmente ao Pt.netlog.com, que obteve 737 mil horas em visualizações. O fotolog.com ficou em terceiro nesta categoria com cerca de 628 mil horas de navegação".


2007-07-18 17:01:00


In:
http://tek.sapo.pt/4Q0/758352.html